"Só não muda de idéia quem não as tem"
Precisando reformar as idéias
Repensar as prioridades e escrever de outra forma menos auto-destrutiva
As nossas escolhas devem partir de hoje, amanha pode aparecer a lei proibindo
Os textos que seguirão após essa postagem será uma mistura de ficção, realidade, literatatura erótica, por vezes política, por vezes melancolica, dependo do dia e da TPM ...
kisses and hugs
domingo, 27 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
"Sobre Poesia" (texto publicado no Zine 'Meus Bagos' em Teresina- PI )

É nessa loucura de querer libertar-se que surgem as palavras, os versos, os poemas livres. Aproveitando para parafrasear Getúlio Vargas eu digo Saio da prosa para entrar pra poesia.Saio dela porque a poesia é livre de regras, de espaços, de somas, e é nesse contexto que me encaixo, nos sonhos, nos vôos, nas encruzilhadas, não nas limitações que tornam a escrita enfadonha. Eu pelo menos me sinto livre ao escrever um poema, é como se ele me possuisse por completo, como se nos tornássemos uma só carne, é como o encontro de dois amantes apaixonados que so falam do que o coração sente. De suas amarguras, de suas felicidades e com espontaneidade torna cada momento único, um seduz o outro com artimanhas que só quem vive sabe o quanto é difícil resistir a essas tentações. Por entre guerra e paz, de dias calorosos de tristezas infindáveis é que surgem os versos mais profundos, que tocam o íntimo, que torna sangrento, impenetrável, incalculável toda e qualquer emoção. Os trovadoristas, os românticos, os realistas, os cubistas, os surrelistas, todos sentiam prazer, pois sentiam liberdade no que faziam e é assim que se deve ser. No dia em que alguem se sentir preso, é melhor que cale os dedos pois aí há outra coisa, não poesia.
As realizações emocionais ou carnais, os desejos podem estar relacionados diretamente com a escrita. Assim, grandes nomes, como Maiakosvki, James Joyce, Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire, Mario Quintana, Carlos Drummond, Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector se utilizaram dessa forma de expressão, cada um com suas particularidades, puderam dizer ao mundo que um dia seu coração se encheu de alegria, ou se frustrou, não negaram seu eu-lírico. Alguns se libertaram de suas concepções morais em nome de um grande amor, o fardo de levar uma paixão. Ora, quer maior dor que o fardo de uma paixão? Amor nem sempre rima com felicidade mas, muitas vezes rima com ilusão, e as vezes soma desilusão. Quer maior desabafo que escrever? Quem irá te reprimir na poesia? O Estado? A Igreja? Seus familiares? Ao menos entre versos poderemos escrever algo que só os poetas entendem, ou será que a poesia precisa realmente de entendimento?
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Os meus azulejos estão escorregadios
meu piso parece tão fundo e movediço
Bela e distante é minha felicidade
Que rompeu-se de mim e tomou vida há tempos
alçou vôos altos e caiu se espatifando no chão
e agora conserta cada pedaço
colando cada pecinha, so que sempre faltando um pedacinho
daquilo que não pude recuperar da queda
e agora? agora é tentar voar mais baixo
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Apenas "Caio F."

Meu nome é Caio F.
Moro no segundo andar,
mas nunca encontrei você na escada
Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia – eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas. Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como – eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da concha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto – preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio – tão cansado, tão causado – qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios – que importa? (Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio – viria? virá? – e minto não, já não preciso.) Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço. Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.
- Caio Fernando Abreu
Crônica publicada no “Estadão” Caderno 2 de 29/07/87
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Tudo o que perdemos pelo caminho
Deixamos um dedo e um anel
Um pedaço do coração e uma nota falsa
Um relógio disfarçado de tempo e carregado de saudades
Uma barriga gelada e uma espera interminável
Uma sede de boca, de boca seca ou molhada, de beijos quentes e noites frias
Um pedaço de unha quebrada de uma briga e depois de amor
perdemos coisas que jamais reconquistaremos, porém
Encontramos pessoas que nos dão até mais do que necessitamos
Deixamos um dedo e um anel
Um pedaço do coração e uma nota falsa
Um relógio disfarçado de tempo e carregado de saudades
Uma barriga gelada e uma espera interminável
Uma sede de boca, de boca seca ou molhada, de beijos quentes e noites frias
Um pedaço de unha quebrada de uma briga e depois de amor
perdemos coisas que jamais reconquistaremos, porém
Encontramos pessoas que nos dão até mais do que necessitamos
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
As vezes penso que é uma péssima "idéia" ter nascido mulher
e o engraçado, penso isso exatamente nos dias de TPM
porque ocorre um terrorismo interno, em que todo o mundo conspira para você chorar ou para despertar seu instinto serial killer
E ainda começa umas perguntas sem noção
"Será que eu sou realmente infeliz ou estou sempre em busca de um conflito"
e esse vazio todo será uma lacuna ou será fome?
Não sei não, mas as vezes acho que mulher é muito burocrática
Um sim as vezes pode ser um não, ou um talvez, dificilmente será um simples "sim"
Um não é um talvez mal expressado ou um nunca
e um talvez provavelmente é um não
Entenderam? Eu também não
Deve ser por isso que eu gosto de homens, tão simples!
e o engraçado, penso isso exatamente nos dias de TPM
porque ocorre um terrorismo interno, em que todo o mundo conspira para você chorar ou para despertar seu instinto serial killer
E ainda começa umas perguntas sem noção
"Será que eu sou realmente infeliz ou estou sempre em busca de um conflito"
e esse vazio todo será uma lacuna ou será fome?
Não sei não, mas as vezes acho que mulher é muito burocrática
Um sim as vezes pode ser um não, ou um talvez, dificilmente será um simples "sim"
Um não é um talvez mal expressado ou um nunca
e um talvez provavelmente é um não
Entenderam? Eu também não
Deve ser por isso que eu gosto de homens, tão simples!
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