quinta-feira, 25 de agosto de 2011

As possibilidades da América Latina


Estudar América latina trás a tona uma grande reflexão histórica, pois todos os países que a compõem sofreram árduos processos de democratização, travando uma luta diária contra as repressões ditatoriais. As conseqüências são devastadoras dessas políticas são devastadoras, principalmente quando se fala em desigualdades sociais. A crise da dívida e a reorientação política e econômica coincidiram com as novas transformações na América Latina e no Caribe.
Rearticular os países segundo as forças econômicas vigentes é bastante oneroso, pois duas medidas podem ser tomadas, uma promover a estabilidade através de políticas públicas e a outra visa diminuir o poder do Estado nas intervenções econômicas. O desenvolvimento do Estado sofre grande déficit quanto a garantia do bem estar e o cumprimento de políticas públicas. O histórico da América Latina dá respaldo a essas desigualdades, uma vez que para o estabelecimento da democracia fez-se necessário abrir mão de grandes coisas em prol da liberdade e as políticas desenvolvidas foram extremamente desgastantes para a economia.
A crise de 2008 foi breve, porém profunda, a pior desde a Grande Depressão, entretanto serviu para reavaliação do acúmulo econômico, bem como o funcionamento do seu sistema, as políticas públicas desenvolvidas e o papel do Estado nas intervenções econômicas. A falta de regulamentação, profundo desequilíbrio e processos de inovações da globalização facilitaram a culminância da crise. O triangulo, mercado, Estado e sociedade precisavam ser reavaliados e volta-se ao antigo debate, o papel do Estado perante a sociedade, a mais afetada dentre todos os setores quando se irrompe uma crise.
As desigualdades sociais que se estabeleceram na América Latina e no Caribe partem de séculos de discriminação étnica, religiosa, de gênero, e a economia está intimamente ligada a esse processo, onde marginalizou grande parte da população em prol do enriquecimento de poucos, levando os países latinos ao topo do pódio das desigualdades. Índices altíssimos e contrastantes, enquanto magnatas esbanjam dinheiro em diversos setores da economia, milhares de pessoas são marginalizadas e esquecidas, vivendo em condições subumanas. As mudanças precisam ser visadas e rapidamente.
            As reflexões sobre a crise trás a tona verdades inegáveis, os valores econômicos são revisados, a discrepância do acesso ao acúmulo dos bens produzidos mostra o quanto a sociedade está longe de ser os principais privilegiados  e entra mais uma vez a posição do Estado e suas competências perante a sociedade, que deixa muito a desejar. A individualidade já não pode arcar com todas as conseqüências, entra o coletivo pra mostrar a força da união, onde não há mais lugar para tantas desigualdades.
            A economia passa a ser reavaliada não apenas no âmbito logístico, mas no plano social, uma vez que as cargas tributárias são altas, deveria retornar para a sociedade em forma de empregos mais justos, saúde e ensino de qualidade. Os primeiros impactos diferenciais já podem ser vistos na aplicação da carga tributária, havendo uma melhor redistribuição, causando melhorias significativas nas políticas públicas para garantir o bem estar.
            Outro importante quesito abordado pelo autor diz respeito a sustentabilidade, ou seja, adotar políticas e ações positivas em relação ao meio ambiente, produzir sem impactar desmedidamente. Dentro das possibilidades faz-se necessário reavaliar como tudo está sendo produzido, pois dependemos de recursos naturais pra sobreviver e o desgaste aparece a cada dia. Produzir com sustentabilidade e as políticas não servem apenas para a sociedade, mas para o conjunto.
            Novamente entra em questão o papel do Estado, suas competências devem ser prioritariamente para o bem comum, que vise o desenvolvimento nacional, diminuir os níveis de desigualdades, a gestão deve ter possibilitar uma maior ascensão de seus participantes das diversas camadas da sociedade. Velar pela democracia é um dos principais direitos e deveres do Estado, melhorando a qualidade política e concomitantemente de seu corpo administrativo.
            A construção do desenvolvimento de um país se traduz através de muitas lutas, trabalhos de médio e longo prazo que irão sentir-se no dever com o crescimento, desenvolvimento, igualdade entre os diversos setores da sociedade, trabalho este que exige empenho tanto do Estado enquanto maquina burocrática, quanto da população que precisa sentir-se locada no meio social, enquanto agentes ativos da mudança social. As camadas marginalizadas pelo sistema precisa se integrar e receberem o retorno dos cuidados devidamente instituídos e legitimados pelo Estado.
            A principal medida a ser tomada em relação a economia mas que reverbera por todos os aspectos é o sistema tributário, ele causa os danos mais brutos na economia, sua reformulação acarretaria grandes mudanças, pois geraria uma maior capacidade fiscal e a solidariedade entraria no âmbito coletivo. Já são aplicadas algumas medidas atualmente para empresas de médio e grande porte, como a diminuição da taxa de impostos a quem desenvolve atividades que ajudem a comunidade. Medidas essas que a primeira vista parecem simples, porém essas ações afirmativas refletem numa melhoria considerável para a população e um menor desgaste das empresas.
            Nem só de economia vivem os países, países são constituídos de sociedade e sociedade de pessoas, para a harmonia desta faz-se necessário estabelecer éticas de sobrevivência, como as medidas de responsabilidade do país que diz respeito as atividades que não atinjam tanto o meio ambiente, preservar o que ainda temos, devido as ameaças catastróficas de cunho global.
            As políticas macroeconômicas são as principais alternativas para o crescimento do país, pois dispõem de um amplo espaço de atuação, atuam tanto na proteção à vulnerabilidade e volatilidade da economia mundial, a estabilidade de preços também se torna crucial para um impacto positivo dentro do país.A globalização além dos aspectos positivos trás grandes instabilidade, e o Estado tem o dever de proporcionar um terreno estimulante para o investimento produtivo. Para resultados favoráveis é necessário um maior controle, não chegando a medidas protecionistas, mas medidas cautelosas, quanto as contas de capitais, também não é medida de retenção aos fluxos financeiros internacionais, são medidas necessárias a redução da instabilidade e dependência internacional.
            O Banco Central, principal articulador desse processo, coordena os tipos de investimento e contribui para gerar uma estrutura produtivas, trabalhando em conjunto com os ministérios do planejamento, fazenda, industria e agricultura, reflorestamento e pecuário são extremamente necessários para o desenvolvimento produtivo. A redução da pobreza e das desigualdades sociais só diminuirão na América Latina com políticas fiscais ativas que incidam na eficiência e no potencial distributivo dos mercados.


            Investir em riscos também deve fazer parte do caráter administrativo da economia, apostar em pequenas e médias empresas também é dever, potencializando o papel da micro finanças,. São características essas que formam um sistema inclusivo, que viabilizem também os micros negócios e possibilitem a ascensão de outros setores da sociedade.
            O processo de reforma passa principalmente pela visão de desenvolvimento e investimento interno prioritariamente, o que vem ocorrendo na América Latina e no Caribe é exatamente o contrario, os grandes investimentos ficam principalmente para o exterior, deixando o mercado interno a desejar. Porém o capital estrangeiro pode desenvolver importantes funções de complemente para a poupança nacional.Para isso é importante a estabilidade de fluxo.
            O desenvolvimento sustentável só pode ser concebido através de políticas públicas consistentes com a diminuição das desigualdades, que vise um padrão de inserção internacional, tanto dos grandes comércios, quanto das pequenas empresas. Dar crédito aos pequenos negócios é impulsionar e dar maior credibilidade e visão a sociedade, que precisa desse apoio.
            Há de se considerar os efeitos positivos e negativos das políticas desenvolvidas, até na estabilidade há instabilidades, portanto, todos os aspectos podem e devem ser levados em consideração. Entretanto, se as políticas visam inclusão, deve-se considerar os erros e acertos, e tentar melhorá-los, com a experiência histórica e não apenas com as especulações. Os dilemas são os mais diversos, dado os resultados diversos, mas as decisões em última instância são principalmente de cunho político.
            As impossibilidades históricas que acarretaram um atraso na América Latina e no Caribe são muitas. Uma vez que os países vizinhos se desenvolveram economicamente com uma velocidade maior que os países latinos,  também a capacidade tecnológica e inovadora gera discrepâncias que refletem num influxo que desacelera a economia local e catalisa as demais. Há brechas internas e externas que coadunam para essa estagnação, como o elevado diferencial da produção em diversos setores. Essa heterogeneidade gera marcam assimetrias de empregos, onde a mão de obra especializada e a mão de obra de baixo custo torna-se um diferencial extremo.
           

Olhar Estrangeiro, filme de Lúcia Murat


O documentário “Olhar Estrangeiro” de Lúcia Murat, traz uma percepção acerca de um Brasil retratado pelo cinema mundial. Os diretores que usaram o Brasil como  referência, construíram a imagem de um país com todos os clichês possíveis. Venderam um país com idéias surreais.  Raciocínio ilógico que pode ser percebido desde os cineastas nacionais até a população que mais desconhece sobre essa arte.
A sensualidade, a diversão plena, o colonialismo, a selvageria entre outros aspectos foram caricaturados em cenas com todas as hipérboles possíveis. As imagens pitorescas das praias de nudismo, as mulheres vulgarizadas, o sexo explícito, animais considerados selvagens vivendo entre as pessoas, são apenas pequenas amostras de como o Brasil foi retratado por esses produtores.
Essas produções afetam diretamente em como nosso país é visualizado lá fora. Segundo a ótica dos próprios atores e demais pessoas que participaram da produção, o Brasil é um país exótico, cheio de mulheres nuas, pessoas que não trabalham, vivem a mercê da diversão, mas ao mesmo tempo são pobres, vivem subordinados ainda a políticas colonialistas, enfim, argumentando um país perfeito para quem quer viver na clandestinidade, fazendo o que bem entender, sem nenhuma conseqüência.
Através das experiências vividas como cineasta, Lúcia Murat pôde observar mais de perto e entender os absurdos abordados nas criações cinematográficas e vai ao diálogo com quem as produziu, conduzindo um debate a respeito da construção desses cenários e dos seus aspectos. O expectador, principal alvo desses filmes, vem assimilando essas idéias e as reproduzindo, sem ter nenhum conhecimento prévio da cultura brasileira e absorvem bem os clichês.
Após as entrevistas com os diretores, fica evidente que na maioria dos casos não haviam tido nenhum contato prévio com a cultura do país e, muito menos se importado caso estivesse exagerando, portanto suas criações também seguiram a idéia do que já estava no mercado. Não há nenhum conhecimento técnico, organizado e definido. A maioria dos cineastas entrevistados para o documentário se surpreenderam com a imagem que venderam, porém outros argumentaram fatidicamente que o Brasil se fazia realmente daqueles clichês.
O olhar estrangeiro não pode ser definido e justificado apenas nesse documentário, que segundo as palavras da própria cineasta não foi feito para conclusões, e sim para abrir um amplo espaço em que possam ser discutidas as interpretações cinematográficas a respeito do Brasil, se é errado ou não, certamente apenas os brasileiros terão essa percepção do que é clichê, pois o olhar de fora sempre traz algum prisma as vezes escondidos por nossos olhares apáticos e cotidianos.       

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Eu jogo o jogo do choro escondido
das lágrimas dispersas, dos afrontamentos
das palpebras fechadas
do beijo suculento
das frutas mordidas
das calcinhas pequenas
dos sabores picantes
esse meu mau humor é so disfarce de mulher fatal
essa pobreza de espírito da modernidade não me atinge
esse fogo que se fingi de calma
Meu amor, que força bruta essa do cotidiano,
cortante

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Saíra correndo do palco  sem ninguém entender. Correu ao bar mais distante, pousou em uma cadeira a chorar solilóquios, gastando todos os lenços possíveis ligou para a única pessoa que poderia lhe atender aquela hora da madrugada, sua amiga de infância. Não entendia porque, justamente em seu grande dia ele fizera aquilo, justamente com aquela mulher. Ele, homem respeitado da sociedade. Ela, mulher elegante, loira, inteligente, pra homem nenhum botar defeito e independente. Dos piores pontos  fracos, justo o ciúme a fez derramar lágrimas públicas. Ela sabia desde o início que ele era casado, mas nunca havia visto os dois juntos. De mãos dadas, perfeitos e intocáveis, cheios de amigos. Porque justo na apresentação que engendraria sua carreira de cantora ele fez tal desatino? Queria ficar bêbada, queria secar os olhos com todas as lágrimas possíveis, queria expurgar todo seu ódio e sua miséria diante de sua amiga. Não queria conselhos, não queria boas-novas, queria apenas gritar. Agora que saíra correndo, fazendo um papel ridículo de menina melindrosa jamais teria outra oportunidade, só a vingança acalmaria seu coração. Como ferir alguém que tanto você preza? Não sabia bem o que fazer. Tomou 5 doses de tequila, entregou sua amiga em casa e então resolveu ir pra casa, já era quase dia. A casa vazia novamente, o canto solitário de um tenor na vitrola invadia o quarto. De repente leu um antigo recado que deixou a 'si próprio após ler um livro de Garcia Marquez , "não há lugar mais triste no mundo que uma cama vazia"  e se lembrara de quantos amantes a possuiu em sua cama, de quantos abraços e beijos foram perdidos, de quantos juramentos em vão foram feitos, de quanta eternidade a envolveu, de quantos lenções sujos de gozo lavou, de quantos batons teve de mudar e esconder para não ser achada, de quantas arranhadas teve de segurar pra não entregar seus amores, de quantos chatos teve de se livrar, e de quanto a vida lhe devia um amor livre, que não tivesse amarras sociais, culturais, matrimoniais, quanta sacanagem a vida lhe trazia, de mulheres que sofriam em casa enquanto seus maridos eram amados e chupados em seus braços. Quanta misantropia sentia por vezes ao dormir, quanto ódio gratuito. Se lembrara então da noite anterior, como acalmar um coração felino e machucado de orgulho ferido? Como continuar sendo mulher e amante sem parecer frágil. Decidira então escapulir dessa tragédia diária, ignorar seu próprio tesão, seu próprio desejo incompreendido , negar a si mesmo e ao outro. A partir de hoje iria ignorar a existência do outro em prol de seu amor-próprio, mas não era aquele orgulho ferido que lhe impôs essa armadura. Aprendeu com a vida a se fortalecer com as próprias tragédias diárias, a não esmorecer, a tratar amantes como amantes, flores como flores e amores como eternos.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Faço da noite subceção dos meus devaneios
Nua na cama, ponho um vinho e um cigarro
Ponho meus óculos
e retiro, retiro toda minha sanidade e ponho a prova
pego o telefone e me desnudo de mim mesma
esqueço o orgulho nosso de cada dia
e te ligo sem pensar em mais nada
falo pra ti desse tempo todo que permaneço longe
não me importo se você joga o jogo da ausência
o meu jogo é não te escutar e te falar o que eu penso
pois os dados foram jogados e a sorte fora lançada no dia em que te conheci
e nem você nem eu pode apagar o que foi vivido
o que se foi é ido
Por mais simpáticas que as outras pessoas sejam
Você é aquele livro com cheiro de novo, que ao passar dos anos so vai ficando mais interessante
Não me importo com essa pedra no meio do caminho
sonhar é incondicional
fruto desses dias que vivemos
Ah, memória maldita faz-me esquecer desses momentos que sinto tanta falta
me ensina a viver no presente
e deixar o passado para os livros.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Hoje eu so escuto canções egoístas de quem quer ser feliz com seu outro alguém, mas esse outro alguém ama o outro dele que também quer ser feliz. Fidelidade, bicho abstrato de quem deseja um mundo particular e tão solitário que aceita um outro que quer a liberdade e a vivacidade das grandes paixões. Não, eu quero mais que isso, eu quero ver o sorriso malicioso das conversas melindrosas. Quero o corpo sadio de quem ri das peripecias da vida. Minha boca arde e sente a vontade de te gritar que é pra saber se você ta me escutando ou fingindo. Me perdoa a ingenuidade.