quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Incrível

Um dia desses eu folheava algo
e me deparei com uma folha
e parei, li
e as palavras se transformaram em lágrimas
que se transformaram em sono, que se fundiram com sonhos e pesadelos
e tudo era medo
era tudo escrito
a mão
de quem
daquilo
de alguém
que um dia se deteve, que doou um pouco do seu tempo
pra escrever pra alguém que um dia foi especial, talvez hoje já não o seja
mas antes fora
em um passado remoto talvez, mas foi
e agora que já é passado, passados os dias, passado as horas, fica só a leitura
e o olha só o que eu achei
alguém lembrando de alguém,
carinhosamente lembrando de alguém, do perfume
das brigas
do pescoço
da utilidade
dos fracassos
dos percalços
e onde já se viu alguém lembrar tão intensamente de outro alguém?

Ecce homo

O ser humano


O estar humano


O odiar humano

O pensar humano

O desprezar humano

O matar humano

O manipular

Sei lá,

"A pior do ser humano - é ser humano"

Historias de amor duram apenas 90 minutos


Não sei porque, mas assisti um filme essas férias "Historias de amor duram apenas 90 minutos" e me lembrou da música do Tihuana, "eu e ela, ela e outra, as duas juntas e eu aqui com agua na boca, as mulheres sao de VÊnus , os homens são de Marte, o mundo é tao pequeno e ainda roubaram a minha parte"
O título do filme parece ser tosco, mas enfim, eu gostei
a história e distópica, so acho estranho porque tem de ser sempre um escritor, so eles tem vida pós-frustração? rs
Mas indico sim, pra quem ta afim de ver filme brasileiro, co-produção Argentina

Achei perdido nos rascunhos

é tão possível e tão complexo, que meus olhos lacrimejam
Sem pimentas ou cebolas
A naturalidade da lembrança de um passado nem tão distante mas tão ausente e tão efêmero.
Sentir que não se tem mais soluções quando não há mais problemas
É tal o fingimento que agora dei pra me sentir bem
Meu soluço anda se confundindo com meu riso
Meus mortos eu nunca enterrei
A putrefação já nem fede mais, já se parece com o cheiro presente do que ficou
A tua carne já se parece com o que como todo dia, e já não tem mais gosto
Doce vida, pobre vida, azul não-celeste
Perto de seus olhos eu me perdia
Nos seus passos eu buscava segurança
Revès, jamais imaginado
Estava a contar o tempo esses dias, e se passou tão rápido e seguro, que me pego rindo de nossos desencontros pela vida
Sortudo, e só tudo que me dizes fez e faz cada efeito catastrofico
Te ver me faz lembrar-me o quanto meu coração pode pulsar e o quanto não posso cair
Nada de abismo, já cheguei lá
Escalar é mais difícil que cair, precisamos das ferramentas e apoios certos, pra não deslizar de novo
Eu to vivendo eu to tentando

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

À lá Hunter Thompson

Pra quem gosta do estilo jornalistico "gonzo" de ser, mais um filme inspirado em Hunter Thompson, o filme foi traduzido para "Diário de um jornalista bêbado", mais uma vez Johnny Depp faz o papel do tipo, o primeiro foi "Medo e delírio", podem procurar o link que já tem pra baixar.

Para vomitar arco-íris

Medo De Amar
Vinicius de Moraes

Vire essa folha do livro e se esqueça de mim
Finja que o amor acabou e se esqueça de mim
Você não compreendeu que o ciúme é um mal de raiz
E que ter medo de amar não faz ninguém feliz

Agora vá sua vida como você quer
Porém, não se surpreenda se uma outra mulher
Nascer de mim, como do deserto uma flor
E compreender que o ciúme é o perfume do amor


Duas músicas e nexo 0

Lembrei de duas músicas hoje, que não consigo parar de escutar

A primeira:
A insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
O seu amor
Um amor tão delicado
Ah, porque você foi fraco assim
Assim tão desalmado
Ah, meu coração que nunca amou
Não merece ser amado

 (mágica letra de Tom Jobim, que desce lágrimas de qualquer desalmado)

A segunda, é uma letra engraçada e sacana:

Você tem medo de fazer amor comigo
Você tem medo de acordar com um bandido
E ver no espelho escrito com batom:
- Tchau trouxa, foi bom!
Você não sabe de onde eu tiro o meu dinheiro
Você não sabe o que eu faço o dia inteiro
E esse mistério destrói a nossa paz
Ah, não posso mais

(letra de Arrigo Barnabé, não me perguntem porque lembrei dessa música)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Filho de peixe, peixinho é


Rocha é um sobrenome comum, mas se você associar ao nome Glauber já diz muita coisa, principalmente para quem ja ouviu falar em "Cinema novo".Pois é, não é que o filho dele decidiu trilhar os caminhos da pai.Eryk Rocha então lança seu primeiro filme de ficção, chamado Transeuntes.
Segundo as informações do blog oficial do filme:


O filme narra a história de Expedito, um aposentado de 65 anos que transita pelas ruas do Rio de Janeiro. Sua realidade se assemelha a de muitos brasileiros que passam despercebidos pelo ritmo acelerado da metrópole. Ele é apenas mais um que transita por esse deserto urbano.

Através da vida de Expedito investigamos o Brasil contemporâneo. Onde vivem os possíveis projetos do “país do futuro”? Projetos de felicidade? Desenvolvimento? Riqueza? A impotência e a inércia da vida de Expedito contrastam com a velocidade dos acontecimentos que ele escuta continuamente em seu radinho portátil, fiel companheiro.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Filme de Martin Scorsese quentinho saindo do forno

Novíssimo filme de Martin Scorsese, denominado "A invenção de Hugo Cabret" (o mesmo diretor  de "Ilha do medo"), estreando agora nas capitais brasileiras, espero que a pirataria ainda esteja em alta, ou que o cinema daqui também lance esse filme. Enquanto isso fico aqui tentando tomar coragem pra ver "Diário de um jornalista bêbado", mais um filme inspirado em Hunter Thompson.

Quem gosta do Seu Jorge levanta os braços \o/

Apesar do título da minha postagem ser patético, anunciei assim pra falar de um filme em especial. A vida marinha de Steve Zissou. O filme é cheio de metalinguagem, filme falando de filme, mas o que mais me inclinou para se interessar pelo filme foi simplesmente o fato do afinadissímo Seu Jorge ter feito toda a trilha sonora do filme com versões em português das músicas do David Bowie, ou seja, a gente se esforça pra ver alguns filmes por conta de alguns detalhes.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Esse eu tenho de ver

Brutal, insano, doentio e visceral, certamente são adjetivos usados por várias pessoas que assistiram ao terror audiovisual A Serbian Film.
Todos que empregarem esses adjetivos, não serão sensacionalistas, pois o filme é, em relação às suas cenas, visualmente terrível e impactante. Fui procurar o filme após ter lido várias notícias sobre o festival de cinema fantástico RioFan, onde a Caixa Econômica Federal vetou a exibição do longa, onde iniciou-se uma série de protestos e discussões sobre a censura nos cinemas e festivais brasileiros.Obviamente sou a favor da recomendação de faixa etária para o público, mas completamente contra a qualquer forma de censura, principalmente relacionada ao cinema.
A história do filme é sobre um ator pornô em fim de carreira, chamado Milos, que procura dinheiro fácil para manter seu filho e sua esposa. Ele é chamado por uma antiga amiga, que o apresenta para Vukmir, um produtor de filmes pornográficos que está disposto a pagar uma quantia exuberante pela atuação de Milos, com a condição de que ele só saiba da trama na hora das filmagens.
Quando o ator aceita a proposta e vai até o lugar das filmagens, começam a aparecer os motivos pelos quais tantos países e festivais proibiram o filme, são cenas extremas de violência sexual, abuso de menores, necrofilia e entre outras perversões.
O diretor Srdjan Spasojevic, defende o filme ao falar que é uma crítica a toda violência e tristeza que o povo sérvio sofre ao longo dos anos, ele alega que as cenas são tão terríveis porque o filme não seria reconhecido se não fosse tão chocante assim, não sei se precisava tanto extremismo para ilustrar uma crítica a respeito do estado atual de seu povo.
Apesar de tantas cenas repulsivas, não se pode negar o talento das técnicas usadas pelo diretor para despertar tantos sentimentos perturbadores de forma tão realista. Percebe-se que o som caminha no mesmo ritmo, com uma pegada underground, criando a impressão de estarmos entrando num submundo. Tudo isso remete a um mundo terrivelmente surrealista, de certa forma, em alguns aspectos, como o chão xadrez, o vestido usado por uma determinada personagem, a fraca iluminação, lembrando a viagem percorrida por Alice, no país das “maravilhas”.
A impressão é que o diretor tentou criar algo novo para o gênero do Horror (tanto físico quanto psicológico) ao jogar na nossa cara várias imagens repulsivas ao ponto de não nos importarmos mais com o roteiro, apenas contemplarmos a viagem surreal que ele nos propõe, uma viagem bem desagradável e repulsiva, ele ilustra essa vontade de inovar, ao nos apresentar também uma fala desesperada de um dos personagens ao gritar “isso é um filme!”, parece que ele tenta engrandecer a sua obra.

 fonte retirada de "cine masmorra"


500 Days summmer

Pra quem acha que comédia romantica é um saco, assista comédia desromantica. Para as telas brasileiras o filme foi traduzido para 500 dias com ela. É uma redescoberta para histórias sem sal, com uma ótima trilha sonora que vai de Smiths a Pixies, bom pra rir e pra pensar, mas nada trascendental, é so pra se divertir mesmo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Mais um de Peckimpah


Apesar de ser remake, assisti esse filme essa madrugada com o c* na mão. Bem violento a là Peckimpah, bem seu estilo mesmo.O filme é Sob o domínio do medo, é um suspense bem interessante, pra quem não curte aquele esdrúxulo suspense americanizado em que o único perigo contundente é o presidente norte-americano perder o controle ou ser ameaçado por algum "terrorista" do Oriente Médio. Os medos do filme estão mais próximos da condição de meros mortais.Não tem mafia, não tem FBI, tem pessoas se exterminando como manda  o velho darwinismo social. Assistam e depois me digam se foi mera alucinação de uma noite de insônia.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Liberdade para matar


Foi o ensaísta alemão Hans Magnus Enzensberger, quem forjou o termo “guerra civil molecular”, cujo propósito consiste em apontar o atual estado de violência desenfreada e sem controle que se espraiou pelo mundo afora. Tal estado de violência manifesta por todas as partes, em qualquer lugar e sem nenhum pretexto. O estado de brutalidade em que chafurdamos pode ser desencadeado por bandos, gangues ou simplesmente por um indivíduo qualquer. Ele é resultante de uma ação desmedida ou de uma intenção previamente pensada. Como diz o autor: “o homem é o único primata que planeja o extermínio dentro de sua própria espécie e o executa entusiasticamente e em grandes dimensões”.
O motivo para tal violência é o que menos importa, muitas vezes é resultante de coisas banais ou puro capricho para ferir ou matar. Seja como for, atualmente assistimos bestificados ao alastramento dos rastros de destruição, medo, morte e terror. O dia-a-dia das cidades, grandes e pequenas, vão se engendrando a esta nova forma de desencadear a guerra. Trata-se de uma guerra sem limites e sem exércitos. Diante deste quadro os Estados pouco ou nada têm conseguido fazer. Sobretudo no Brasil, um país rico em preconceito, sustentado pela hipocrisia, pelo falso-moralismo e pela corrupção desenfreada. As ações das autoridades dão o tom da truculência, da intolerância e da impunidade que impera a pretexto do desenvolvimento econômico. Nossas instituições estão cada vez mais carcomidas e têm contribuído enormemente para a expansão das mais variadas formas de crime: “não mudamos de país/ Mas mudamos de Estado/ Estado de violência/ Estado de pobreza/ Estado de hipocrisia/ E de demagogia”.
Aos poucos a brutalidade do cotidiano foi nos encurralando. O medo e a insegurança se caracterizam como a nova ordem nesta razão sangrenta. Basta um passo em falso neste campo minado para tudo voar pelos ares. O que antes parecia notícias distantes, amplamente divulgadas pelos meios de comunicação, privilégio dos grandes centros urbanos, torna-se cada vez mais presentes em nossas vidas. Em cada esquina, entre amigos ou conhecidos, testemunhamos os horrores narrados por alguém, até o dia em que somos apanhados de supetão, atingidos em cheio. Não faz tanto tempo fiquei assustado com a notícia de que um segurança da Universidade (UFT-Tocantinópolis) fora brutalmente espancado a pauladas dentro do campus em pleno horário de trabalho. Os assassinos foram julgados e inocentados.  Espancamento este que resultou na morte do mesmo. Pouco tempo depois, a cidade foi despertada pela notícia de que uma jovem mãe de família fora estrangulada no centro da cidade e em plena luz do dia.
    Diante deste quadro de horror, eis que chega o dia em que você é obrigado a olhar nos olhos da morte. No último dia 05 de janeiro me deparei diante da mais brutal e desprezível situação. Encontrava-me no interior do Maranhão, quando por volta das 06:00hs da manhã, fui acordado com estrondosas batidas na porta do quarto do hotel em que estava hospedado. Ao abrir a porta e deparar-me com dois amigos, tive a certeza que aquele barulho era do mundo despencando sobre minha cabeça. Fui golpeado na alma com a notícia que meu companheiro de 20 anos, Cleides Antonio Amorim, antropólogo, professor da Universidade Federal do Tocantins, fora assassinado com uma facada. Motivo? Intolerantes ofensas, desrespeito! Pura ignorância!
Por volta das 20:00hs do dia 04, ele havia saído de casa para buscar um amigo numa vizinha cidade (Aquiarnópolis). No caminho de volta, resolveram beber umas cervejas em um bar da cidade de Tocantinópolis.  Saíram deste para outro, onde Cleides pretendia comprar cigarros e, lá chegando, resolveram tomar mais uma cerveja antes de ir para casa. Eis que chega o emissário da morte. Sentados em mesas opostas, Cleides mais dois amigos, conversavam alegremente, como era de costume. Foi quando ao soltar uma alegre e deliciosa gargalhada, marca registrada da sua alegria contagiante foi insultado pelo criminoso: “nesta mesa só tem veados”. Arrogante e homofóbico, não se dando por satisfeito, o marginal deu prosseguimento aos insultos e ofensas: “vocês gostam mesmo é de dá o C...” Diante de tamanho desrespeito, Cleides e amigos partiram para cima do agressor e o imobilizaram. Após ser dominado, o covarde pediu pelo amor de Deus para que eles o soltassem, pois iria apenas pegar sua moto e ir embora. A menos de um metro do assassino, todos esperavam que o mesmo seguisse seu caminho. Ao ser solto, o covarde teve a opção de tomar seu rumo.  Intencionalmente ele retirou uma faca que se encontrava debaixo do banco da moto e friamente desferiu o golpe fatal que ceifou a vida de Cleides. O golpe desferido demonstra a intenção de quem sabia o que estava fazendo, ou seja, matando alguém. A faca penetrou no lado esquerdo, atingindo o coração.
Na avalanche de absurdo em que estamos atolados, o medo, a insegurança vão se impondo como a ordem do dia. Não importa se é dia ou noite, se o lugar é público ou privado, sempre haverá alguém mal intencionado que se acha no direito de constranger, insultar, desrespeitar, fazer o que bem lhe aprouver e resolver tudo tirando a vida de alguém. Trata-se do crime servindo como forma de imposição de sua vontade. Para o criminoso, a arma serve como instrumento necessário nas relações sociais. O covarde que assassinou Cleides compartilha dessa convicção. Ou seja, a de ser infrator, criar situações de conflito e resolvê-las com a eliminação do seu oponente. No caos vigente em que chafurda a segurança pública do país, este é mais um dos milhares de casos atrozes, em que um facínora qualquer se torna um agente da guerra, um emissário da morte. Este texto pode parecer fruto da indignação de alguém que foi duplamente ferido por um só golpe fatal. No entanto, esta é uma pergunta que a justiça do Estado do Tocantins terá que responder imediatamente: até quando este assassino ficará solto pelas ruas colocando em risco a vida de outras pessoas? Quem será próxima vítima da sua arrogância e intolerância?  O assassino, que já cumpria pena alternativa por ameaçar alguém de morte, desta vez consolidou seu desejo de matar. Portanto, cabe ao Estado, à Justiça e aos homens que fazem a lei responder estas perguntas, caso contrário, corre-se o risco da sociedade imaginar que seremos impulsionados a acreditar no mito primevo de Hobbes da luta de todos contra todos.   
  

Helen Lopes de Sousa


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"Tudo o que é solido se desmancha no ar"

O que diz as músicas sobre solidão

Diga o que disserem, o mal-do-século é a solidão
 (Esperando por mim - Legião Urbana)

O que diz a literatura sobre a solidão

Sempre, a toda hora, adormecida e acordada, nos momentos mais sublimes e nos mais abjetos, Amaranta pensava em Rebeca, porque a sua solidão havia selecionado as lembranças e incenerado as entorpecentes montanhas de lixo nostálgico que a vida acumulara no seu coração e havia purificado, magnificado e eternizado as outras, as mais amargas. 
(Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Marquez)
O que a sociologia diz sobre a solidão

“Será que os habitantes de nosso líquido mundo moderno... preocupados com uma coisa e falando de outra? Eles garantem que seu desejo, paixão, objetivo ou sonho é “relacionar-se”. Mas será que na verdade não estão preocupados principalmente em evitar que suas relações acabem congeladas e coaguladas? Estão mesmo procurando relacionamentos duradouros, como dizem, ou seu maior desejo é que eles sejam leves e frouxos, de tal modo que, como as riquezas de Richard Baxter, que “cairiam sobre os ombros como um manto leve”, possam “ser postos de lado a qualquer momento”? Afinal, que tipo de conselho eles querem de verdade: como estabelecer um relacionamento ou – só por precaução – como rompê-lo sem dor e com a consciência limpa? Não há uma resposta fácil a essa pergunta, embora ela precise ser respondida e vá continuar sendo feita, à medida que os habitantes do líquido mundo moderno seguirem sofrendo sob o peso esmagador da mais ambivalente entre as muitas tarefas com que se defrontam no dia-a-dia.
(De “Amor Líquido Sobre a fragilidade dos laços humanos” Zygmunt Bauman ... pg 11)
 

O que a modernidade diz sobre a solidão
"O turbilo da vida moderna tem sido alimentado por muitas fontes: grandesdescobertas nas ciências físicas, com a mudança da nossa imagem do universo e dolugar que ocupamos nele; a industrializão da prodão, que transformaconhecimento científico em tecnologia, cria novos ambientes humanos e destrói osantigos, acelera o próprio ritmo de vida, gera novas formas de poder corporativo e deluta de classes; descomunal explosão demográfica, que penaliza milhões de pessoasarrancadas de seu habitat ancestral, empurrando-as pelos caminhos do mundo emdireção a novas vidas;"
 
(Tudo o que é solido se desmancha no ar - Mashall Berman)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A flor e o espinho



A voz rústica de Nelson Cavaquinho entoou uma das mais belas canções que já conheci, a letra já traduziu sentimentos "despeitados" de amores risonhos

"Tire o seu sorriso do caminho, 
que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho, 
espinho não machuca a flor
Eu so errei quando juntei minha alma a sua, 
o sol não pode viver perto da lua."

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

21 chegando e as injustiças de envelhecer sozinha

É, ta chegando...
3 anos de blog
4 anos de UEMA
21 anos de existência

E as coisas  que eu mais escutei a cada aniversário foi "você ainda é nova, tem muito a viver", e o mais irônico disso tudo, daqui uns anos vou escutar "aproveite a vida pois ela passa rápido"
Das duas frases e, o que mais me irrita é a ausência de conteúdo nisso tudo. Falar por falar, ninguem fala da solidão que é enfrentar a vida, envelhecer. Como se todo ano não estivessemos chegando mais próximo do fim, um medo atávico de quebrar as barreiras do silêncio e perguntar onde estão as pessoas que conheci ao longo da minha existência. Tantas pessoas e lembranças que mal cabem em 21 anos, todas se foram de alguma forma, se afastaram, de corpo e alma.

Encontre alguem, encontre amores, amantes, amigos
Faça uma festa, tome um vinho, não faça nada
Fale tudo na hora errada e tenha o poder de estragar uma vida
Faça sexo, faça amor, trepe, goze
Estude, leia, viaje, mude, de casa, de vida
(Não quero parecer o Pedro Bial com aquele 'filtro solar' dele)


Não queira envelhecer sozinha
Tenha amigos para amar e inimigos pra desprezar
perca tempo vendo sua séries e filmes favoritos com alguém
tenha alguem ao menos pra dizer que não tem ninguém
Como diria Quintana "Vale a pena viver a vida - nem que seja pra dizer que não vale a pena"
Sinta-se sozinha com alguém, procure encontrar quem quer te ver, não idealize muito os que não querem.
Sozinha também se aprende, mas junto se aprende mais
Não quero receber flores no café da manha, quero receber beijos.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Eu receberia as piores noticias dos seus lindos lábios

O AMOR É SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEL

Não adianta explicar. Você não vai entender.
Às vezes, como num sonho, vejo o dia da minha morte. É uma coisa meio espírita, um flash. E, embora a mulher não apareça, sei que é por causa dela que estão me matando. E tenho tempo de saber que não me deixa infeliz o desfecho da nossa história. Terá valido a pena.
Hoje, a Lua está transitando por sua casa astrológica favorita. Câncer. Uma criança nascida neste dia terá personalidade calma e cordata. Gente boa, portanto. Sofrerá num lugar como este.
Sopra uma brisa vinda do rio e a noite está silenciosa e com um cheiro de dama-da-noite tão intenso que chega a ser enjoativo. Faz calor ainda. À tarde, vi pássaros voando em formação rumo ao norte. Não demora e teremos frio. Menos aqui, claro.
O homem que sai na varanda da pensão é calvo e barrigudo, e usa camiseta, bermuda listrada e chinelos. Ele diz um boa-noite torcendo a boca - derrame? - e senta-se na cadeira de palhinha. Abre o jornal com suas mãos micóticas e passa a grunhir a cada notícia que lê. Tosse, bufa. O mais próximo que um ser humano pode chegar de um bovino.
Um garoto da redondeza vem sentar-se nos degraus da escada, como já aconteceu em outras noites. Não gosta de conversar, mas fica ali, ouvindo a prosa alheia. As roupas dele são ordinárias, porém limpas. O garoto tem altivez no olhar, uma espécie de confiança em estar no mundo. Algo secreto na cabeça dele, que não consegue se exprimir ainda, mas que o informa: você é melhor do que essa gente ao seu redor. É só uma questão de tempo para que todos saibam disso.


Marçal Aquino

Flagelo

É preciso reconhecer o perigo, de caminhar sozinha...
De se considerar auto-suficiente
De tornar o caminho rude e amargo
Não precisa agir assim, menina
Você, no final das contas é so um pedaço de carne
Tão degradável quanto os outros, portanto...
Não suba tão alto em seu pedestal
Pare de ser tão intransigente, afinal
Você pode ter um pouco daquilo que você mais odeia nas pessoas

"Se eu cantar não chore não, é so poesia"


"Se eu cantar não chore, não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você? Como vai você?"


Eu juro que não é intencional, são apenas suspiros diários, algumas indagações... nada que me tire o sono. Prometo não ficar no "e se..."
Essa música me tras lembranças tardias de alguma coisa que eu poderia ter vivido... o "e se" não cabe, então fica a imaginação. Você ainda quer morar comigo?